Eixos Temáticos

Os debates sobre segurança pública serão organizados em quatro eixos centrais, definidos a partir de evidências e pesquisas acadêmicas. Eles abordarão: o domínio territorial de grupos armados, o uso da força policial, o pacto federativo na segurança pública e as condições de trabalho dos profissionais da área.

A proposta é estruturar a discussão de forma qualificada, articulando dados, diagnósticos e experiências para compreender a complexidade do problema e contribuir para a formulação de políticas públicas mais eficazes.

Mais de 4 milhões de pessoas da Região Metropolitana do Rio de Janeiro vivem hoje sob o controle e a influência de grupos armados. Os territórios dominados por facções do tráfico e da milícia já abrangem 18,1% da superfície territorial urbanizada e 34,9% da população, segundo dados do Mapa Histórico dos Grupos Armados 2025, realizado pelo Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (Geni/UFF), em parceria com o Instituto Fogo Cruzado.

Essas facções criminosas exercem domínio sobre comunidades, impondo extorsões, violência e restrições à vida cotidiana, com sistemática violação de direitos. Os moradores dessas áreas, em sua maioria trabalhadores e estudantes, vivem sob um risco constante da violência armada. Só no ano passado, o Instituto Fogo Cruzado registrou 275 tiroteios motivados por disputas territoriais no Grande Rio − um aumento de 26% em relação a 2024 e o maior número da série histórica. Confrontos que deixaram 1.722 baleados.

O domínio territorial dos grupos armados é, de fato, um dos mais graves problemas enfrentados pelo estado. E essa realidade afeta principalmente populações pobres e negras, comprometendo sua segurança, privando-as dos direitos consagrados na Constituição, agravando desigualdades sociais e ampliando a exposição à violência armada. Além disso, compromete também o funcionamento de serviços essenciais, como educação, saúde, transporte e moradia. 

Diante desse cenário, o Estado do Rio de Janeiro tem oscilado entre a omissão — deixando essas populações sob o controle de grupos criminais armados — e operações policiais de inspiração bélica, que invadem periodicamente esses territórios, geram grande insegurança para os moradores, matam alguns suspeitos e apreendem drogas e armas, para depois se retirarem e deixar tudo como antes.

Recentemente, uma determinação do Supremo Tribunal Federal ordenou ao Estado do Rio a elaboração de planos para a recuperação desses territórios. É preciso gerar alternativas para alcançar esse objetivo minimizando os confrontos armados e os danos para os moradores dessas comunidades. Compreender esse fenômeno por meio de pesquisa e produção de dados é fundamental para orientar essas políticas públicas.