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Reitores de universidades e dirigentes de instituições científicas abraçam a iniciativa

Em pé, O pesquisador Marcelo Burgos, ao lado dele da esquerda para a direita: presidente do CPPF Marcio Portes de Albuquerque; reitor da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, José da Costa Filho; reitora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Gulnar Azevedo, reitor da UFRJ, Roberto Medronho; a pró-reitora da UFF Mônica Savedra, vice-presidente da Fiocruz, Marli Marques; Vice-reitora de Extensão e Estratégia Pedagógica da Puc-Rio, Jackeline Lima Farbiarz; representante da Academia Brasileira de Ciências e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, Débora Foguel; secretária de Ciência e Tecnologia do Município, Tatiana Roque; e o vice-presidente da ADUFRJ, Michel Gherman.

Ao reunir diferentes áreas do conhecimento, a rede busca contribuir para a construção de políticas mais eficazes e de uma abordagem que priorize a redução da violência com base em evidências. O desafio, segundo os participantes, é transformar esse acúmulo de conhecimento em mudanças concretas para a realidade do estado.

A participação de autoridades acadêmicas no encontro consolidou um momento de aproximação entre produção científica e gestão universitária no enfrentamento da violência no Rio de Janeiro. Reitores, pró-reitores e representantes de instituições defenderam políticas públicas baseadas em evidências e maior articulação entre universidade e sociedade.

O diretor do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, Márcio Portes de Albuquerque, destacou o caráter inédito da mobilização. “É um desafio complexo e, talvez pela primeira vez, a nossa comunidade se envolve de forma mais organizada, trazendo uma abordagem baseada em conhecimento e evidências”, afirmou, ressaltando a integração entre ciência, gestão pública e sociedade.

Para o reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Roberto Medronho, a criação da rede é um “marco histórico”. Ele defendeu a centralidade dos direitos constitucionais no debate. “A primeira tarefa é fazer com que todos conheçam o artigo 5º da Constituição”, disse, alertando também para a naturalização da violência: “É impressionante como esse processo foi naturalizado”.

A reitora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Gulnar Azevedo, enfatizou o papel transformador da universidade. “Não se trata apenas de produzir teses, mas de intervir no que está acontecendo”, afirmou, destacando que experiências internacionais mostram que mudanças são possíveis com políticas públicas estruturadas.

O reitor da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, José da Costa Filho, defendeu maior atuação política das universidades. “A luta das universidades não pode ser separada da discussão política nacional”, disse. Ele criticou soluções baseadas na repressão: “É impensável tratar essa população na base do tiro e da matança”.

Representando a Fundação Oswaldo Cruz, a vice-presidente Marli Marques ressaltou os impactos diretos da violência. “Vivenciamos isso diariamente. A principal demanda são transtornos relacionados à violência”, afirmou, defendendo articulação com territórios e movimentos sociais: “Existe um saber local que precisa ser considerado”.

Pela Universidade Federal Fluminense, a pró-reitora Mônica Savedra destacou a origem científica da rede. “Foi um dos temas que mais mobilizou pesquisadores e acabou se consolidando como uma rede”, disse, reforçando o compromisso institucional: “Vocês terão todo o apoio da universidade”.

A Vice-reitora de Extensão e Estratégia Pedagógica da Puc-Rio, Jackeline Lima Farbiarz trouxe uma perspectiva humana. “Estamos falando de pessoas que perderam o brilho no olhar”, afirmou. Ela alertou para a banalização da violência entre jovens: “Para eles, tiroteio não é vermelho, é amarelo”.

A secretária municipal de Ciência e Tecnologia, Tatiana Roque, destacou obstáculos políticos. “Hoje há forte adesão a discursos que associam segurança à violência”, disse. Segundo ela, isso impacta eleições e decisões públicas: “Sem incidir na opinião pública, não conseguimos mudar o sistema político”.

Representando a Academia Brasileira de Ciências e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, Débora Foguel defendeu ampliar o diálogo social. “As pessoas precisam conhecer seus direitos. O artigo 5º precisa ser divulgado”, afirmou, defendendo participação de moradores nas discussões.

Representando a Associação dos Docentes da UFRJ (ADURFRJ), o professor Michel Gherman, da UFRJ, destacou a origem da iniciativa. “A rede nasce da indignação e da necessidade de disputar o debate público”, disse. Para ele, é preciso enfrentar narrativas que legitimam a violência: “Não é partidário, mas é necessário deixar claro de que lado estamos”.

Ao final, os participantes convergiram na avaliação de que a rede representa uma resposta coletiva da ciência a um problema estrutural. A proposta é transformar conhecimento em ação, ampliar o diálogo com a sociedade e disputar o debate público para construir políticas mais eficazes e democráticas.

Fotos por: Ana Beatriz Plácido